Captador ganha prêmio ao arrecadar recursos para criar setor de captação em sua organização
30 de Agosto de 2016 às 09:39
Alguns hospitais captam para ampliar suas instalações, outros para reformar uma ala. O Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) fez diferente: buscou dinheiro para instituir seu próprio setor de captação. A estratégia deu certo: recebeu montante suficiente para criar uma estrutura de telemarketing e mais que dobrar o número de pessoas dedicadas à arrecadação de doações.
 
Inovadora, a iniciativa deu a seu idealizador o prêmio da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) na categoria “Captador do Ano”. “A ideia foi uma maneira de visar o futuro, pois vamos passar para nossos potencias financiadores muito mais profissionalismo, organização e credibilidade”, afirma o gestor  Walter Fernandes dos Santos Junior que concebeu o plano.
 
O hospital, fundado em 1970, tem 629 leitos, quase 5 mil funcionários, faz em média 53mil atendimentos por mês e 32 mil cirurgias. Ligado à Faculdade de Medicina de Rio Preto, é referência para 102 municípios da região. “Tudo é superlativo lá. A dívida também”, brincou Santos Junior na cerimônia de premiação.
 
Com experiência anterior no setor privado e na prefeitura (foi chefe de gabinete da Secretaria de Habitação do município), ele não havia atuado antes com captação. Mas sabia que teria um desafio e tanto pela frente.
 
Pouco depois de estudar a situação financeira do HB, como a instituição é conhecida, concluiu que seria essencial implantar uma estrutura de captação própria. Mas não havia recurso para isso. Foi aí que teve a ideia de buscar apoio não para um projeto específico, mas para montar um setor nessa área.
 
O primeiro passo foi levantar dados que mostrassem a importância do hospital para a região – destacando a extensão da população atendida e o pioneirismo em transplantes como o de fígado. Também reuniu informações para deixar claro o impacto que um setor de captação poderia ter no hospital e como isso seria revertido positivamente para os apoiadores.
 
Com o plano em mãos, procurou negócios que tivessem algum elo com o município. Buscou a Rodobens, grupo que atua em segmentos como finanças, comunicação, imóveis e negócios automotivos. “A matriz fica em São José do Rio Preto. Isso fez toda a diferença, pois o criador da empresa foi praticamente um dos fundadores do hospital.” Além disso, Santos Junior, como gerente-executivo da associação comercial do município, já havia mantido relação com a companhia. “Marquei uma reunião e em menos de 20 minutos eles deram sinal positivo.”
 
A empresa se comprometeu a doar R$ 670 mil, em 12 parcelas. Como contrapartida, vai aparecer nas peças de mídia e “será o sponsor na placa de inauguração do setor”, conta o gestor.
 
O dinheiro será utilizado na montagem de uma estrutura externa de telemarketing, com um número ainda não definido de colaboradores. O número de funcionários do próprio hospital dedicados à área também vai aumentar: deverá passar de três para oito.
 
A Rodobens é, por enquanto, a única empresa que contribuiu. Mas Santos Junior já pensa em estratégias para multiplicar a arrecadação do Hospital de Base. Uma delas é ampliar a participação no setor de leilões, assim como faz o Hospital do Câncer de Barretos. “Muitas cidades vizinhas realizam leilões e revertem o valor arrecadado para uma instituição. Acredito que temos espaço nesse meio.”
 

 


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